O COOPERATIVISMO ENQUANTO INSTITUIÇÃO PARA O ENFRENTAMENTO À DESIGUALDADE DE GÊNERO NO MEIO RURAL

Maíra Soalheiro Grade, Dirceu Basso

Resumo


Este artigo se propõe a realizar uma análise da persistência do cenário de desigualdade entre homens e mulheres nos mais diversos espaços públicos, além de estudar a maneira como o cooperativismo, por meio de iniciativas que já estão sendo desenvolvidas no interior das organizações, pode ser uma ferramenta de participação social e democrática, despertando a ação política das mulheres no meio rural como defensoras de seus direitos.Nesse contexto, o objetivo do presente trabalho é examinar, por meio dos dados colhidos por três artigos sobre a questão da mulher no ambiente cooperativo da Central Cresol Baser no Sudoeste do Paraná, as possibilidades de desenvolvimento das mulheres e também os limites que muitas vezes não são ultrapassados nas experiências desenvolvidas nas cooperativas. Como resultado da análise, entendemos que apesar de existir no meio rural uma tendência ainda maior do que nos espaços urbanos de exclusão das mulheres dos espaços de discussão e decisão das políticas que envolvem suas vidas de maneira direta, com ações e políticas afirmativas é possível iniciar o processo de superação de tais desigualdades. Nesse sentido, ações como Programa de Gênero na Cresol Baser, implantado com o objetivo da redução da desigualdade de gênero na instituição e a inserção das mulheres nos conselhos (administração e fiscal) das Cooperativas de Crédito Rural integrantes da Cresol Baser constituem instrumentos para o fortalecimento de suas capacidades humanas, sociais e econômicas. Compreendemos, por fim, que o desenvolvimento das mulheres no espaço rural torna possível a melhoria da vida no campo como um todo, tanto na questão econômica das famílias quanto na construção de ambientes mais democráticos e com equidade para todos.


Palavras-chave


Mulher; desigualdade; cooperativismo; participação.

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