Proximidade e escuta do outro: desafios metodológicos para a produção partilhada de conhecimento em Sociomuseologia

Juliana Maria de Siqueira

Resumo


A Museologia Social ou Sociomuseologia pode ser definida como um campo de estudos e ação social dedicado a promover a socialização dos meios de produção e gestão do patrimônio integral de uma comunidade. Em outras palavras, o que a distingue é seu caráter social, a natureza partilhada e inclusiva de suas práticas e concepções. Essa opção, que expressa um compromisso com a promoção da dignidade humana, a justiça social e o exercício do direito à memória, à cultura e à comunicação – dentre outros – implica o desenvolvimento de relações horizontais entre profissionais especializados e comunidades e, portanto, o enfrentamento das assimetrias de poder que marcam a produção e o uso do conhecimento. Carregando essa dimensão utópica – a convicção de que todo cidadão possa participar ativamente do processo museológico – a Museologia Social pode desafiar a colonialidade do poder, do saber e do ser. É possível imaginarmos, a partir desse campo, a produção de uma Museologia Decolonial, Transmoderna ou Intercultural. Por isso, é importante refletirmos sobre as metodologias de investigação a partir das quais se constrói o conhecimento em Museologia Social e nos aventurarmos na exploração de alternativas metodológicas capazes de estabelecer o diálogo entre os campos científicos com os quais a Museologia lida e as várias Epistemologias do Sul produzidas pelas comunidades às quais ela se dirige. Esta comunicação tem como ponto de partida a pesquisa de doutoramento realizada junto à Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, sobre a Educação Museal em uma perspectiva intercultural da Sociomuseologia. Pretende-se explorar as potencialidades do método analético proposto por Enrique Dussel, assim como a noção de “Cosmoaudição”, identificada por Carlos Lenkersdorf, para a fundamentação da investigação e a construção de um edifício metodológico fundado na proximidade, na escuta e na reciprocidade com as comunidades participantes da investigação.


Texto completo:

PDF

Referências


ANDINO, Cristian. Consideraciones en torno a la cuestión del método en la filosofía de la liberación de Enrique Dussel. Analéctica. Revista Electrónica de Pensamiento Crítico. Ano 1, n. 11, Jul. 2015. Disponível em: . Acesso em 14 abr. 2017.

DUSSEL, Enrique D. Filosofia da Libertação. São Paulo, Piracicaba: Edições Loyola, Editora Unimep, 1980.

GONZÁLES SAN MARTÍN, Patricia. La filosofía de la liberación de Enrique Dussel: una aproximación a partir de la formulación de la analéctica. Estudios de Filosofía Práctica e Historia de las Ideas, v. 16, n. 1, Mendoza, Dez. 2014, p. 45-52. Disponível em: . Acesso em 18 jul. 2017.

GUARNIERI, Waldisa Rússio Camargo. A interdisciplinaridade em Museologia (1981). In: BRUNO, Maria Cristina Oliveira (org.). Waldisa Rússio Camargo Guarnieri: textos e contextos de uma trajetória profissional. V. 1. São Paulo: Pinacoteca do Estado; Secretaria de Estado da Cultura; Comitê Brasileiro do ICOM, 2010, p. 123-126.

LENKERSDORF, Carlos. Filosofar en clave tojolabal. México: Miguel Ángel Porrúa, 2005.

LEVINAS, Emmanuel. Totalidade e infinito. Lisboa: Edições 70, 1988.

PANSARELLI, Daniel. A filosofia dusseliana da libertação e sua ética. Revista Urutágua, Ano I, N. 4, Maringá, Maio 2002. Disponível em: . Acesso em 18 jul. 2017.

RODRIGUES, Ubiratane de Morais. Levinas: uma proposta crítica ao primado da filosofia ocidental. Kairós: Revista Acadêmica da Prainha. Ano V, N. 1, Fortaleza, Jan/jun. 2008, p. 203-213. Disponível em: . Acesso em 18 jul. 2017.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.