Desenvolvimentismo, modernidade e teoria da dependência na América Latina

Ramón Grofoguel

Resumo


Os dependentistas latino-americanos produziram um conhecimento que criticava os pressupostos eurocêntricos dos cepalistas, incluindo a ortodoxia marxista e as teorias da modernização norte-americana. A crítica da escola dependentista ao estagismo e ao desenvolvimentismo foi uma intervenção importante que transformou o imaginário dos debates intelectuais em muitas partes do mundo. No entanto, argumentarei que muitos dependentistas ainda estavam presos ao desenvolvimentismo e, em alguns casos, até mesmo ao estagismo, que tentavam superar. Além disso, embora a crítica dos dependentistas ao estagismo tenha sido importante ao negar a “negação da coetaneidade” que Johannes Fabian (1983) descreve como central para as construções eurocêntricas de “alteridade”, alguns dependentistas a substituíram por novas formas de negação de coetaneidade. A primeira parte deste artigo discute a ideologia desenvolvimentista e o que chamo de “mania-feudal” como parte da longa duração da modernidade na América Latina. A segunda parte discute o desenvolvimentismo dos dependentistas. A terceira parte é uma discussão crítica sobre a versão da teoria da dependência de Fernando Henrique Cardoso. Finalmente, a quarta parte discute o conceito de cultura dos dependentistas.

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