Diferença ontológica

A dicotomia humana como espaço de produção da diferença colonial

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Resumo

Este artigo pressupõe que a expressão máxima da diferença colonial foi possível graças à fratura ontológica emergida não pela potência ou força presuntiva dos povos colonizadores, mas sim por suas cosmologias limitadas e fragilizadas pela natureza conservadora e normativa dos valores que secularmente se articularam para formação da dimensão de sujeito, identidade e poder dos povos europeus. Nesse sentido, a diferença colonial manifesta pela produção de espaços de dominação, em que histórias e projetos que eram locais (europeus) se tornaram universais, silenciando histórias e projetos do Sul Global, só foram possíveis graças ao ethos ontológico dicotomizado dos povos colonizadores. Compreendo essa fratura ontológica como diferença ontológica e proponho sua razão como fundamento para a produção dos sentidos autorreferenciados de superioridade europeia, elemento imprescindível para a globalização das narrativas colonizadoras e a imposição do silêncio às memórias, discursos e cosmologias ameríndias e afrodescendentes. Proponho, por fim, que superar a diferença colonial implica em transcender a histórica cisão ontológica promovida pelo colonialismo, desenvolvendo radicalmente uma ontologia de fronteira pautada na pluralidade, uma vez entender que é no pensamento pluriverso que reside, em grande medida, a potencia de coalisão para o enfrentamento dos variados limites impostos pela colonialidade do poder.

Biografia do Autor

Leandro Aparecido Fonseca Missiatto, Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia

Possui Mestrado em Psicologia na Universidade Federal de Rondônia - UNIR, Linha de Pesquisa em Saúde e Processos Psicossociais.Graduação em psicologia pela Faculdade de Ciências Biomédicas de Cacoal (2012). Vice-líder do LARIS, Laboratório de Relações Interpessoais e Saúde do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Atualmente é analista processual na especialidade de psicologia - Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia. 

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Publicado

2021-02-26

Edição

Seção

Artigos/Ensaios