A biblioteca como instituição-campo do estágio supervisionado em ensino de química

Autores

DOI:

https://doi.org/10.30705/eqpv.v5i1.2544

Resumo

Ao considerar, na formação inicial de professores de química, vivências não escolares, este texto trata da inserção de bibliotecas no estágio supervisionado. Este estudo de caso apresenta três momentos, espelhando as etapas do processo de conhecimento numa perspectiva crítico-dialética. O primeiro passo, empírico, narra como uma licencianda compreendeu o problema do “copiar-colar” nos trabalhos escolares. Isso ensejou o segundo passo, abstrato, conduzindo a conceitos sobre tipologia das bibliotecas, orientações sobre a organização desses espaços e analogias com museus. No terceiro passo, retornou-se à realidade concreta e elaborou-se um desenho de estágio com vivências em bibliotecas. A experiência gerou propostas para solucionar o problema previamente diagnosticado: incentivar estratégias de leitura no ensino de química, para orientar os estudantes nas pesquisas e no uso de bibliotecas; modificar salas de leitura, tornando-as mais atrativas para o estudante de química; e criar repositórios de trabalhos escolares de química

Biografia do Autor

Fabiola Ferreira Barbosa, Universidade Federal do ABC (UFABC)

Graduação em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC (UFABC)

Ana Cláudia Kasseboehmer, Universidade de São Paulo (USP/São Carlos)

Doutora em Ciências pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Docente do Instituto de Química de São Carlos IQSC/USP e colaboradora da Rede Latino-Americana de Pesquisa em Educação Química, RELAPEQ, Brasil. 

Rafael Cava Mori, Universidade Federal do ABC (UFABC)

Doutor em Físico-Química pela Universidade de São Paulo (USP/São Carlos). Professor do Programa de Pós-Graduação em Ensino, História e Filosofia das Ciências e Matemática (UFABC).

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Publicado

2021-07-02

Edição

Seção

Dossiê: Estágio Supervisionado na Licenciatura em Química - diferentes olhares