A sobrevivência de uma raça: os mestiços no projeto estético de José Vasconcelos

Autores

  • Leonardo Bento de Andrade Universidade Federal do Paraná

Resumo

O presente artigo tem como objetivo traçar paralelos entre o ensaio “La Raza Cósmica (1925)”, do escritor e educador José Vasconcelos, e seis obras relacionadas ao movimento muralista mexicano. Vasconcelos foi Ministro de Educação Pública entre 1921 e 1924 e foi o principal responsável pela criação do Muralismo. Como ministro, comissionou pintores como Diego Rivera, José Orozco e Roberto Montenegro a cobrir as paredes das instituições públicas mexicanas com temas nacionalistas ligados ao passado, presente e futuro do México pós-revolucionário. “La Raza Cósmica” foi escrito durante a fase em que Vasconcelos estava à frente do Muralismo e, nesse período, tomou a figura do mestiço como central em sua narrativa, atribuindo a ele e à mistura das raças presentes na América Ibérica um caráter messiânico-redentor. Pelo mestiço não só o México, mas toda a humanidade prosperaria. Assim, a mestiçagem surge em murais como em La Creación (1922), La unión de la América Latina (1924), Cortés y la Malinche (1926), La Unión (1928), Encuentro de dos culturas o El mestizaje (1993) e na série de quatro painéis de Manuel Centurión (1922), permanecendo por vários anos, mesmo após a saída de Vasconcelos do cargo. Por fim, essa análise será guiada pelas discussões acerca de raça e mestiçagem presentes nos trabalhos de Glória Anzaldúa, Franz Fanon e Achille Mbembe.

Biografia do Autor

Leonardo Bento de Andrade, Universidade Federal do Paraná

Mestre e Doutorando em História

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Publicado

2020-12-21