Frontería - Revista do Programa de Pós-Graduação em Literatura Comparada

A Frontería: Revista do Programa de Pós-Graduação em Literatura Comparada (PPGLC) da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) visa ser um espaço de debate e divulgação de pesquisas comparatistas e de teorias da literatura voltadas ao âmbito latino-americano e caribenho. A revista Frontería publica, semestralmente, artigos inéditos ou tradução de textos críticos e teóricos de real interesse para a área, resenhas bibliográficas e entrevistas. Os textos podem ou não ser agrupados em dossiê temático que concentre discussões contemporâneas de interesse na América Latina e Caribe.  

A revista Frontería está aberta a contribuições de pesquisadores(as) oriundos(as) de instituições nacionais e internacionais, latino-americanos ou não. Seu conteúdo é de acesso livre e os textos submetidos passam por um processo de análise por pares, ou seja, serão lidos por pelo menos dois consultores ad hoc, escolhidos entre especialistas da área.

O título Frontería está proposto desde um entendimento da fronteira como contato, expansão, movimento. Ou seja, se refere ao deslocamento de uma acepção que propõe delimitações prévias, fixações, lugares estanques, como prevê Abril Trigo ao sugerir o termo, em seu já conhecido artigo Fronteras de la epistemología: epistemologias de la frontera, (1997). Sendo assim, o título se ajusta ao lugar desde o qual é produzida esta publicação, a região da fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, especialmente pela necessidade a ele inerente, de constantemente (re)elaborar, discutir, por em questão as fronteiras.

*Gostaríamos de agradecer aos mestrandos do PPGLC pela contribuição à construção da identidade da revista: a Daniela Serna e Libia Castañeda pela criação da imagem do site e a Luciano Dutra Miguel pela proposta de título. 


CHAMADA EM ABERTO PARA O PRIMEIRO NÚMERO:

 

NARRATIVAS DE TEMPOS E ESPAÇOS: AMÉRICA LATINA ENTRE MODERNIDADES E COLONIALIDADES

Organizadores:
Alfredo Nava Sánchez (UFSJ)
Leo Name (UNILA)
Tereza Spyer (UNILA)

O chamado giro decolonial apresenta vasta literatura (LANDER, 2000; WALSH, 2005; CASTRO-GÓMEZ e GROSFOGUEL, 2007; MIGNOLO e ESCOBAR, 2010) que assinala que a modernidade é um projeto eurocêntrico, militar, político, social, cultural e pedagógico – iniciado com a invasão, em 1492, do que atualmente é o subcontinente latino-americano. Seus escritos, por isso, dão centralidade analítica à América Latina – em si mesma um conjunto de representações conflitivas (MIGNOLO, [2005] 2007) – e dizem não ser possível referir-se tão somente à “modernidade”: há uma “modernidade-colonialidade” impositiva de um pensamento único a respeito da superioridade europeia (BALLESTRIN, 2013). Principal conceito da abordagem decolonial, a “colonialidade do poder” (QUIJANO, 2000) refere-se às várias dimensões constitutivas do colonialismo e de seus legados e, mais especificamente, a uma classificação social associada à ideia de “raça”. A branquitude heterossexual e burguesa apresentou-se como universal e inventou seus Outros (MIGNOLO, [2007] 2008; ECHEVERRÍA, 2010): antes da invasão da América, não existia o negro nem o indígena escravos – identidades racializadas, geo-historicamente determinadas, as quais se associaram questões de gênero e classe (LUGONES, 2008). Nesse processo, povos e culturas foram considerados não só inferiores como anteriores: pertenciam a espaços não modernos e não civilizados e a outro tempo, o passado e do atraso.

A Literatura Comparada tem no comprometimento com o Outro o seu impulso primeiro, sua razão de ser e sua metodologia. Além disso, a diferença é sua grande categoria analítica (SCHIMDT, 2005, 2007). Contemporaneamente, o comparatismo vem tentando romper com as relações hierárquicas que impunha à produção de textos e à relação entre textos, além de promover diálogos com outras áreas do conhecimento e com outras artes (ALÓS, 2012) – arquitetura, audiovisual, fotografia, música, quadrinhos. Também vem tentando deixar para trás as marcas de dominação e subordinação de suas análises pregressas a respeito dos diferentes territórios, povos e culturas que produzem literaturas e artes. Nesse sentido, o olhar sobre a América Latina deve se aderir a um comparativismo contrastivo (PALERMO, 2017), percebendo a totalidade a partir de suas inúmeras diferenças, que potencialmente pode dialogar com os escritos mais recentes que se perguntam sobre o que seriam estéticas decoloniais (MIGNOLO, 2010), em oposição a artes e literaturas tão canônicas quanto moderno-coloniais e eurocêntricas.

Para compor o primeiro dossiê temático da revista Frontería, convidamos pesquisadoras e pesquisadores das mais variadas áreas do conhecimento a pensarem a produção literária em sentido amplo e como parte das geopolíticas do conhecimento (MIGNOLO e WALSH, 2003). Interessam-nos tanto as narrativas literárias e artísticas que ao descreverem o subcontinente latino-americano apontavam a superioridade da Europa e/ou do Ocidente quanto aquelas dos subalternizados latino-americanos que respondiam a esses ataques, defendiam seus territórios ou narravam os tempos e os espaços de existência e resistência.

Desta feita, sugerimos alguns dentre os inúmeros temas possíveis para os trabalhos a serem submetidos ao dossiê temático:

  • Tempos e espaços nas narrativas da modernidade-colonialidade na América Latina;
  • Tempos, espaços e as literaturas e as artes diaspóricas da América Latina;
  • Literaturas, artes e a invenção do Outro latino-americano: narrativas sobre povos inferiores e lugares sem história; sobre desenvolvimento, progresso e civilização etc.; 
  • Estéticas decoloniais e América Latina;
  • América Latina, narrativas de viagem e abordagem decolonial;
  • Literaturas, artes e seus cânones: o papel da América Latina na produção de centros e periferias artísticas;
  • Literaturas e artes de resistência da América Latina: cosmovisões não modernas, concepções outras de tempos e espaços, narrativas de resistência e insurreição.
  • Narrativas e memórias desde a ferida colonial na América Latina.
  • América Latina e o lugar de fala e o lugar epistemológico nas literaturas e nas artes.
  • Literaturas e artes na América Latina e narrativas das colonialidades do poder, do saber, do ser, do ver etc.
  • Literaturas, artes e geopolítica do conhecimento;
  • Narrativas sobre raça, gênero e classe na América Latina em abordagem decolonial.
  • Feminismos decoloniais: as lutas de mulheres na América Latina nas literaturas e outras artes
  • Transições e futuros decoloniais: literaturas, artes e transmodernidade.

REFERÊNCIAS

ALÓS, A.P. Literatura comparada ontem e hoje: campo epistemológico de ansiedades e incertezas. Organon, v. 27, n. 52, p. 17-42, 2012.
BALLESTRIN, L. América Latina e o giro decolonial. Revista Brasileira de Ciência Política, v. 11, p. 89-117, 2013.
CASTRO-GÓMEZ, S. e GROSFOGUEL, R. (Orgs.). El giro decolonial. Bogotá: Siglo del Hombre Editores, 2007.
ECHEVERRÍA, B. Modernidad y blanquitud. México D.F.: Ediciones Era, 2010.
LANDER, E. (Org.). La colonialidad del saber: eurocentrismo y ciencias sociales. Buenos Aires: CLACSO, 2000.
LUGONES, M. Colonialidad y género. Tabula Rasa, n. 9, p. 73-101, 2008.
MIGNOLO, W.D. e ESCOBAR, A. (Orgs). Globalization and the decolonial option. Londres: Routledge, 2010.
MIGNOLO, W.D. La idea de América Latina. Barcelona: Geodisa Editorial, (2005) 2007.
MIGNOLO, W.D. Aiesthesis decolonial. Calle 14, v. 4, n. 4, p. 10-25, 2010.
MIGNOLO, W. Desobediência epistêmica: a opção descolonial e o significado de identidade em política. Cadernos de Letras da UFF, n. 34, p. 287-324, (2007) 2008.
MIGNOLO, W. e WALSH, C. Las geopolíticas del conocimiento y colonialidad del poder. Polis, n. 4, 2003.
PALERMO, Z. Diferencia epistémica y diferencia colonial. El rol del comparatismo contrastivo y de las hermenéuticas pluritópicas. Cuadernos del Hipogrifo, n. 8, p. 7-25, 2017.
QUIJANO, A. Colonialidad del poder, eurocentrismo y América Latina. In: LANDER, E. (Org.). La colonialidad del saber: eurocentrismo y ciencias sociales. Buenos Aires: CLACSO, 2000.
SCHMIDT, R. T. Alteridade planetária: a reinvenção da literatura comparada. Revista Brasileira de Literatura Comparada, v. 7, p. 113-130, 2005.
SCHMIDT, R. T. A literatura comparada nesse admirável mundo novo. Revista Brasileira de Literatura Comparada, v. 11, p. 11-33, 2007.
WALSH, C. (Org.). Pensamiento crítico y matriz (de)colonial. Quito, UASB-Abya Yala, 2005.

 

SUBMISSÕES ATÉ: 15 DE DEZEMBRO DE 2019.

 

NARRATIVAS DE TIEMPOS Y ESPACIOS: AMÉRICA LATINA ENTRE MODERNIDADES Y COLONIALIDADES

Organizadores: 
Alfredo Nava Sánchez (UFSJ)
Leo Name (UNILA)
Tereza Spyer (UNILA)

El llamado giro decolonial ha producido una vasta literatura (LANDER, 2000; WALSH, 2005; CASTRO-GÓMEZ e GROSFOGUEL, 2007; MIGNOLO e ESCOBAR, 2010) que propone que la modernidad es un proyecto eurocéntrico, militar, político, social, cultural y pedagógico, que comenzó en 1492 con la invasión europea de lo que ahora es el subcontinente latinoamericano. Estos escritos, por lo tanto, le dan a América Latina una centralidad analítica –en sí misma, un conjunto de representaciones conflictivas (MIGNOLO, [2005] 2007)– y a partir de ello plantean que no es posible referirse solamente a la "modernidad": lo que existe es la "modernidad-colonialidad" que impone un pensamiento único que tiene como eje la superioridad europea (BALLESTRIN, 2013). El principal concepto del enfoque decolonial, la "colonialidad del poder" (QUIJANO, 2000), se refiere a las diversas dimensiones constitutivas del colonialismo y sus legados, y más específicamente a una clasificación social asociada a la idea de "raza". La blanquitud heterosexual y burguesa se impuso como universal e inventó sus Otros (MIGNOLO, [2007] 2008; ECHEVERRÍA, 2010): antes de la invasión a América, no había esclavos negros o indígenas, es decir, identidades racializadas determinadas geohistóricamente y asociadas con cuestiones de género y clase (LUGONES, 2008). En este proceso, las culturas y los pueblos originarios se consideraron no solo inferiores sino anteriores: pertenecían a espacios no modernos y no civilizados y a otros tiempos, relacionados con el pasado y el atraso.

La Literatura Comparada tiene en su compromiso con el Otro su primer impulso, su razón de ser y su metodología. Además, la diferencia es su gran categoría analítica (SCHIMDT, 2005, 2007). Hoy en día, los trabajos comparativos han buscado romper con las relaciones jerárquicas anteriormente impuestas a la producción de textos y la relación entre textos, además de promover diálogos con otras áreas del conocimiento y con otras artes (ALÓS, 2012): arquitectura, audiovisual, fotografía, música, cómics. También han tratado de dejar atrás las marcas de dominación y subordinación de sus más antiguos análisis de los diversos territorios, pueblos y culturas que producen literatura y artes. En este sentido, una perspectiva sobre América Latina debe adherirse a un comparatismo contrastivo (PALERMO, 2017), considerando su totalidad a partir de sus innumerables diferencias. Y, con ello, potencializar un diálogo con escritos más recientes que se preguntan qué serían “estéticas decoloniales” (MIGNOLO, 2010), en oposición a la literatura y a las artes canónicas en tanto productos del proceso “moderno-colonial” y eurocéntrico.

Para componer el primer dossier temático de la revista Frontería, invitamos a investigadoras e investigadores de diversos campos del conocimiento a pensar en la producción literaria en un sentido amplio y como parte de la geopolítica del conocimiento (MIGNOLO e WALSH, 2003). Estamos interesados tanto en las narrativas literarias como artísticas que, al describir el subcontinente latinoamericano, impusieron la superioridad de Europa y/o Occidente, así como aquellas de los subordinados latinoamericanos que respondieron a estos ataques, defendieron sus territorios o narraron los tiempos y espacios de existencia y resistencia.

De esta manera, sugerimos algunos de los muchos temas posibles para los trabajos a ser enviados para integrar este dossier temático:

  • Tiempos y espacios en las narrativas de modernidad-colonialidad en América Latina;
  • Tiempos, espacios, artes y literaturas diaspóricas de América Latina;
  • Literaturas, artes y la invención del Otro latinoamericano: narraciones sobre pueblos y lugares “sin historia”; sobre desarrollo, progreso y civilización etc.;
  • Estéticas decoloniales y América Latina;
  • América Latina, narrativas de viaje y enfoque decolonial;
  • Literaturas, artes y sus cánones: el papel de América Latina en la producción de centros artísticos y periferias;
  • Literatura latinoamericana y artes de resistencia: cosmovisiones no modernas, otras concepciones de tiempos y espacios, narraciones de resistencia e insurrección;
  • Narrativas y recuerdos de la herida colonial en América Latina.
  • América Latina y el lugar de habla y el lugar epistemológico en la literatura y las artes.
  • Literaturas y artes en América Latina; narrativas de las colonialidades del poder, del ser, del ver, etc.
  • Literaturas, artes y geopolítica del conocimiento;
  • Narrativas sobre raza, género y clase en América Latina en un enfoque decolonial.
  • Feminismos decoloniales: la lucha de las mujeres en América Latina en la literatura y otras artes
  • Transiciones y futuros decoloniales: literatura, arte y transmodernidad.

REFERENCIAS

ALÓS, A.P. Literatura comparada ontem e hoje: campo epistemológico de ansiedades e incertezas. Organon, v. 27, n. 52, p. 17-42, 2012.
BALLESTRIN, L. América Latina e o giro decolonial. Revista Brasileira de Ciência Política, v. 11, p. 89-117, 2013.
CASTRO-GÓMEZ, S. e GROSFOGUEL, R. (Orgs.). El giro decolonial. Bogotá: Siglo del Hombre Editores, 2007.
ECHEVERRÍA, B. Modernidad y blanquitud. México D.F.: Ediciones Era, 2010.
LANDER, E. (Org.). La colonialidad del saber: eurocentrismo y ciencias sociales. Buenos Aires: CLACSO, 2000.
LUGONES, M. Colonialidad y género. Tabula Rasa, n. 9, p. 73-101, 2008.
MIGNOLO, W.D. e ESCOBAR, A. (Orgs). Globalization and the decolonial option. Londres: Routledge, 2010.
MIGNOLO, W.D. La idea de América Latina. Barcelona: Geodisa Editorial, (2005) 2007.
MIGNOLO, W.D. Aiesthesis decolonial. Calle 14, v. 4, n. 4, p. 10-25, 2010.
MIGNOLO, W. Desobediência epistêmica: a opção descolonial e o significado de identidade em política. Cadernos de Letras da UFF, n. 34, p. 287-324, (2007) 2008.
MIGNOLO, W. e WALSH, C. Las geopolíticas del conocimiento y colonialidad del poder. Polis, n. 4, 2003.
PALERMO, Z. Diferencia epistémica y diferencia colonial. El rol del comparatismo contrastivo y de las hermenéuticas pluritópicas. Cuadernos del Hipogrifo, n. 8, p. 7-25, 2017.
QUIJANO, A.  Colonialidad del poder, eurocentrismo y América Latina. In: LANDER, E. (Org.). La colonialidad del saber: eurocentrismo y ciencias sociales. Buenos Aires: CLACSO, 2000.
SCHMIDT, R. T. Alteridade planetária: a reinvenção da literatura comparada. Revista Brasileira de Literatura Comparada, v. 7, p. 113-130, 2005.
SCHMIDT, R. T. A literatura comparada nesse admirável mundo novo. Revista Brasileira de Literatura Comparada, v. 11, p. 11-33, 2007.
WALSH, C. (Org.). Pensamiento crítico y matriz (de)colonial. Quito, UASB-Abya Yala, 2005.

 

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