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CHAMADA EM ABERTO PARA O PRIMEIRO NÚMERO:

 

NARRATIVAS DE TEMPOS E ESPAÇOS: AMÉRICA LATINA ENTRE MODERNIDADES E COLONIALIDADES

Organizadores:
Alfredo Nava Sánchez (UFSJ)
Leo Name (UNILA)
Tereza Spyer (UNILA)

O chamado giro decolonial apresenta vasta literatura (LANDER, 2000; WALSH, 2005; CASTRO-GÓMEZ e GROSFOGUEL, 2007; MIGNOLO e ESCOBAR, 2010) que assinala que a modernidade é um projeto eurocêntrico, militar, político, social, cultural e pedagógico – iniciado com a invasão, em 1492, do que atualmente é o subcontinente latino-americano. Seus escritos, por isso, dão centralidade analítica à América Latina – em si mesma um conjunto de representações conflitivas (MIGNOLO, [2005] 2007) – e dizem não ser possível referir-se tão somente à “modernidade”: há uma “modernidade-colonialidade” impositiva de um pensamento único a respeito da superioridade europeia (BALLESTRIN, 2013). Principal conceito da abordagem decolonial, a “colonialidade do poder” (QUIJANO, 2000) refere-se às várias dimensões constitutivas do colonialismo e de seus legados e, mais especificamente, a uma classificação social associada à ideia de “raça”. A branquitude heterossexual e burguesa apresentou-se como universal e inventou seus Outros (MIGNOLO, [2007] 2008; ECHEVERRÍA, 2010): antes da invasão da América, não existia o negro nem o indígena escravos – identidades racializadas, geo-historicamente determinadas, as quais se associaram questões de gênero e classe (LUGONES, 2008). Nesse processo, povos e culturas foram considerados não só inferiores como anteriores: pertenciam a espaços não modernos e não civilizados e a outro tempo, o passado e do atraso.

A Literatura Comparada tem no comprometimento com o Outro o seu impulso primeiro, sua razão de ser e sua metodologia. Além disso, a diferença é sua grande categoria analítica (SCHIMDT, 2005, 2007). Contemporaneamente, o comparatismo vem tentando romper com as relações hierárquicas que impunha à produção de textos e à relação entre textos, além de promover diálogos com outras áreas do conhecimento e com outras artes (ALÓS, 2012) – arquitetura, audiovisual, fotografia, música, quadrinhos. Também vem tentando deixar para trás as marcas de dominação e subordinação de suas análises pregressas a respeito dos diferentes territórios, povos e culturas que produzem literaturas e artes. Nesse sentido, o olhar sobre a América Latina deve se aderir a um comparativismo contrastivo (PALERMO, 2017), percebendo a totalidade a partir de suas inúmeras diferenças, que potencialmente pode dialogar com os escritos mais recentes que se perguntam sobre o que seriam estéticas decoloniais (MIGNOLO, 2010), em oposição a artes e literaturas tão canônicas quanto moderno-coloniais e eurocêntricas.

Para compor o primeiro dossiê temático da revista Frontería, convidamos pesquisadoras e pesquisadores das mais variadas áreas do conhecimento a pensarem a produção literária em sentido amplo e como parte das geopolíticas do conhecimento (MIGNOLO e WALSH, 2003). Interessam-nos tanto as narrativas literárias e artísticas que ao descreverem o subcontinente latino-americano apontavam a superioridade da Europa e/ou do Ocidente quanto aquelas dos subalternizados latino-americanos que respondiam a esses ataques, defendiam seus territórios ou narravam os tempos e os espaços de existência e resistência.

Desta feita, sugerimos alguns dentre os inúmeros temas possíveis para os trabalhos a serem submetidos ao dossiê temático:

  • Tempos e espaços nas narrativas da modernidade-colonialidade na América Latina;
  • Tempos, espaços e as literaturas e as artes diaspóricas da América Latina;
  • Literaturas, artes e a invenção do Outro latino-americano: narrativas sobre povos inferiores e lugares sem história; sobre desenvolvimento, progresso e civilização etc.; 
  • Estéticas decoloniais e América Latina;
  • América Latina, narrativas de viagem e abordagem decolonial;
  • Literaturas, artes e seus cânones: o papel da América Latina na produção de centros e periferias artísticas;
  • Literaturas e artes de resistência da América Latina: cosmovisões não modernas, concepções outras de tempos e espaços, narrativas de resistência e insurreição.
  • Narrativas e memórias desde a ferida colonial na América Latina.
  • América Latina e o lugar de fala e o lugar epistemológico nas literaturas e nas artes.
  • Literaturas e artes na América Latina e narrativas das colonialidades do poder, do saber, do ser, do ver etc.
  • Literaturas, artes e geopolítica do conhecimento;
  • Narrativas sobre raça, gênero e classe na América Latina em abordagem decolonial.
  • Feminismos decoloniais: as lutas de mulheres na América Latina nas literaturas e outras artes
  • Transições e futuros decoloniais: literaturas, artes e transmodernidade.

REFERÊNCIAS

ALÓS, A.P. Literatura comparada ontem e hoje: campo epistemológico de ansiedades e incertezas. Organon, v. 27, n. 52, p. 17-42, 2012.
BALLESTRIN, L. América Latina e o giro decolonial. Revista Brasileira de Ciência Política, v. 11, p. 89-117, 2013.
CASTRO-GÓMEZ, S. e GROSFOGUEL, R. (Orgs.). El giro decolonial. Bogotá: Siglo del Hombre Editores, 2007.
ECHEVERRÍA, B. Modernidad y blanquitud. México D.F.: Ediciones Era, 2010.
LANDER, E. (Org.). La colonialidad del saber: eurocentrismo y ciencias sociales. Buenos Aires: CLACSO, 2000.
LUGONES, M. Colonialidad y género. Tabula Rasa, n. 9, p. 73-101, 2008.
MIGNOLO, W.D. e ESCOBAR, A. (Orgs). Globalization and the decolonial option. Londres: Routledge, 2010.
MIGNOLO, W.D. La idea de América Latina. Barcelona: Geodisa Editorial, (2005) 2007.
MIGNOLO, W.D. Aiesthesis decolonial. Calle 14, v. 4, n. 4, p. 10-25, 2010.
MIGNOLO, W. Desobediência epistêmica: a opção descolonial e o significado de identidade em política. Cadernos de Letras da UFF, n. 34, p. 287-324, (2007) 2008.
MIGNOLO, W. e WALSH, C. Las geopolíticas del conocimiento y colonialidad del poder. Polis, n. 4, 2003.
PALERMO, Z. Diferencia epistémica y diferencia colonial. El rol del comparatismo contrastivo y de las hermenéuticas pluritópicas. Cuadernos del Hipogrifo, n. 8, p. 7-25, 2017.
QUIJANO, A. Colonialidad del poder, eurocentrismo y América Latina. In: LANDER, E. (Org.). La colonialidad del saber: eurocentrismo y ciencias sociales. Buenos Aires: CLACSO, 2000.
SCHMIDT, R. T. Alteridade planetária: a reinvenção da literatura comparada. Revista Brasileira de Literatura Comparada, v. 7, p. 113-130, 2005.
SCHMIDT, R. T. A literatura comparada nesse admirável mundo novo. Revista Brasileira de Literatura Comparada, v. 11, p. 11-33, 2007.
WALSH, C. (Org.). Pensamiento crítico y matriz (de)colonial. Quito, UASB-Abya Yala, 2005.

 

SUBMISSÕES ATÉ: 15 DE DEZEMBRO DE 2019.

 

NARRATIVAS DE TIEMPOS Y ESPACIOS: AMÉRICA LATINA ENTRE MODERNIDADES Y COLONIALIDADES

Organizadores: 
Alfredo Nava Sánchez (UFSJ)
Leo Name (UNILA)
Tereza Spyer (UNILA)

El llamado giro decolonial ha producido una vasta literatura (LANDER, 2000; WALSH, 2005; CASTRO-GÓMEZ e GROSFOGUEL, 2007; MIGNOLO e ESCOBAR, 2010) que propone que la modernidad es un proyecto eurocéntrico, militar, político, social, cultural y pedagógico, que comenzó en 1492 con la invasión europea de lo que ahora es el subcontinente latinoamericano. Estos escritos, por lo tanto, le dan a América Latina una centralidad analítica –en sí misma, un conjunto de representaciones conflictivas (MIGNOLO, [2005] 2007)– y a partir de ello plantean que no es posible referirse solamente a la "modernidad": lo que existe es la "modernidad-colonialidad" que impone un pensamiento único que tiene como eje la superioridad europea (BALLESTRIN, 2013). El principal concepto del enfoque decolonial, la "colonialidad del poder" (QUIJANO, 2000), se refiere a las diversas dimensiones constitutivas del colonialismo y sus legados, y más específicamente a una clasificación social asociada a la idea de "raza". La blanquitud heterosexual y burguesa se impuso como universal e inventó sus Otros (MIGNOLO, [2007] 2008; ECHEVERRÍA, 2010): antes de la invasión a América, no había esclavos negros o indígenas, es decir, identidades racializadas determinadas geohistóricamente y asociadas con cuestiones de género y clase (LUGONES, 2008). En este proceso, las culturas y los pueblos originarios se consideraron no solo inferiores sino anteriores: pertenecían a espacios no modernos y no civilizados y a otros tiempos, relacionados con el pasado y el atraso.

La Literatura Comparada tiene en su compromiso con el Otro su primer impulso, su razón de ser y su metodología. Además, la diferencia es su gran categoría analítica (SCHIMDT, 2005, 2007). Hoy en día, los trabajos comparativos han buscado romper con las relaciones jerárquicas anteriormente impuestas a la producción de textos y la relación entre textos, además de promover diálogos con otras áreas del conocimiento y con otras artes (ALÓS, 2012): arquitectura, audiovisual, fotografía, música, cómics. También han tratado de dejar atrás las marcas de dominación y subordinación de sus más antiguos análisis de los diversos territorios, pueblos y culturas que producen literatura y artes. En este sentido, una perspectiva sobre América Latina debe adherirse a un comparatismo contrastivo (PALERMO, 2017), considerando su totalidad a partir de sus innumerables diferencias. Y, con ello, potencializar un diálogo con escritos más recientes que se preguntan qué serían “estéticas decoloniales” (MIGNOLO, 2010), en oposición a la literatura y a las artes canónicas en tanto productos del proceso “moderno-colonial” y eurocéntrico.

Para componer el primer dossier temático de la revista Frontería, invitamos a investigadoras e investigadores de diversos campos del conocimiento a pensar en la producción literaria en un sentido amplio y como parte de la geopolítica del conocimiento (MIGNOLO e WALSH, 2003). Estamos interesados tanto en las narrativas literarias como artísticas que, al describir el subcontinente latinoamericano, impusieron la superioridad de Europa y/o Occidente, así como aquellas de los subordinados latinoamericanos que respondieron a estos ataques, defendieron sus territorios o narraron los tiempos y espacios de existencia y resistencia.

De esta manera, sugerimos algunos de los muchos temas posibles para los trabajos a ser enviados para integrar este dossier temático:

  • Tiempos y espacios en las narrativas de modernidad-colonialidad en América Latina;
  • Tiempos, espacios, artes y literaturas diaspóricas de América Latina;
  • Literaturas, artes y la invención del Otro latinoamericano: narraciones sobre pueblos y lugares “sin historia”; sobre desarrollo, progreso y civilización etc.;
  • Estéticas decoloniales y América Latina;
  • América Latina, narrativas de viaje y enfoque decolonial;
  • Literaturas, artes y sus cánones: el papel de América Latina en la producción de centros artísticos y periferias;
  • Literatura latinoamericana y artes de resistencia: cosmovisiones no modernas, otras concepciones de tiempos y espacios, narraciones de resistencia e insurrección;
  • Narrativas y recuerdos de la herida colonial en América Latina.
  • América Latina y el lugar de habla y el lugar epistemológico en la literatura y las artes.
  • Literaturas y artes en América Latina; narrativas de las colonialidades del poder, del ser, del ver, etc.
  • Literaturas, artes y geopolítica del conocimiento;
  • Narrativas sobre raza, género y clase en América Latina en un enfoque decolonial.
  • Feminismos decoloniales: la lucha de las mujeres en América Latina en la literatura y otras artes
  • Transiciones y futuros decoloniales: literatura, arte y transmodernidad.

REFERENCIAS

ALÓS, A.P. Literatura comparada ontem e hoje: campo epistemológico de ansiedades e incertezas. Organon, v. 27, n. 52, p. 17-42, 2012.
BALLESTRIN, L. América Latina e o giro decolonial. Revista Brasileira de Ciência Política, v. 11, p. 89-117, 2013.
CASTRO-GÓMEZ, S. e GROSFOGUEL, R. (Orgs.). El giro decolonial. Bogotá: Siglo del Hombre Editores, 2007.
ECHEVERRÍA, B. Modernidad y blanquitud. México D.F.: Ediciones Era, 2010.
LANDER, E. (Org.). La colonialidad del saber: eurocentrismo y ciencias sociales. Buenos Aires: CLACSO, 2000.
LUGONES, M. Colonialidad y género. Tabula Rasa, n. 9, p. 73-101, 2008.
MIGNOLO, W.D. e ESCOBAR, A. (Orgs). Globalization and the decolonial option. Londres: Routledge, 2010.
MIGNOLO, W.D. La idea de América Latina. Barcelona: Geodisa Editorial, (2005) 2007.
MIGNOLO, W.D. Aiesthesis decolonial. Calle 14, v. 4, n. 4, p. 10-25, 2010.
MIGNOLO, W. Desobediência epistêmica: a opção descolonial e o significado de identidade em política. Cadernos de Letras da UFF, n. 34, p. 287-324, (2007) 2008.
MIGNOLO, W. e WALSH, C. Las geopolíticas del conocimiento y colonialidad del poder. Polis, n. 4, 2003.
PALERMO, Z. Diferencia epistémica y diferencia colonial. El rol del comparatismo contrastivo y de las hermenéuticas pluritópicas. Cuadernos del Hipogrifo, n. 8, p. 7-25, 2017.
QUIJANO, A.  Colonialidad del poder, eurocentrismo y América Latina. In: LANDER, E. (Org.). La colonialidad del saber: eurocentrismo y ciencias sociales. Buenos Aires: CLACSO, 2000.
SCHMIDT, R. T. Alteridade planetária: a reinvenção da literatura comparada. Revista Brasileira de Literatura Comparada, v. 7, p. 113-130, 2005.
SCHMIDT, R. T. A literatura comparada nesse admirável mundo novo. Revista Brasileira de Literatura Comparada, v. 11, p. 11-33, 2007.
WALSH, C. (Org.). Pensamiento crítico y matriz (de)colonial. Quito, UASB-Abya Yala, 2005.

 

FECHA LÍMITE PARA SUMISIÓN DE TRABAJOS: 15 DE DICIEMBRE DE 2019.

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