O delírio de Descartes no Catatau de Paulo Leminski

Autores

  • Danilo Bernardes Teixeira Faculdade Casper Líbero

Resumo

Este artigo busca investigar o aspecto decolonial de Catatau, romance de estreia do escritor paranaense Paulo Leminski, lançado em 1975. No romance, uma única situação cênica se apresenta: postado sob uma árvore do Jardim Botânico de Recife, René Descartes, funcionário do Príncipe Maurício de Nassau, incapaz de aplicar sua lógica cartesiana aos (para ele monstruosos) seres da natureza brasileira, produz um discurso delirante, claramente anticartesiano. De uma forma geral, este artigo volta-se para uma investigação a respeito dos desdobramentos e repercussões gerados pelo contraste entre tais lógicas: de um lado, o pensamento cartesiano do Descartes da história da filosofia; de outro, o pensamento anticartesiano do Descartes de Paulo Leminski. Na medida em que se admite a (ainda que fictícia) presença do filósofo no Brasil como índice de um projeto de colonização – no caso, imposto pela Holanda –, o artigo considera a hipótese de que a experiência de Descartes nos trópicos, bem como o discurso que produz em terras brasileiras, se apresente como uma alegórica representação de um processo de decolonização, através do qual a realidade brasileira não apenas se revela esquiva à imposição de uma quadratura europeia como também demonstra capacidade de perturbar os aspectos ontológicos e discursivos do colonizador que desejasse submetê-la.

 

Palavras-chave: Leminski; Catatau; Descartes; decolonização; literatura brasileira

Biografia do Autor

Danilo Bernardes Teixeira, Faculdade Casper Líbero

  Doutor em Teoria Literária pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (2018). Mestre em Teoria Literária (2008) pela Universidade Federal de Uberlândia. Na mesma instituição, graduou-se em Letras (2005). É professor de Língua Portuguesa no curso de Jornalismo na Fundação Cásper Líbero. Também leciona Literatura no Ensino Médio e em cursos pré-vestibulares da cidade de São Paulo. Tem experiência na área de Letras, atuando principalmente nos seguintes temas: língua portuguesa, literatura brasileira, literatura portuguesa, teoria literária, poesia, canção e música popular brasileira. Publicou dois livros: O HERÓI HESITANTE (poesia, 2005), e HOTEL RODOVIÁRIA (prosa, 2015). Publicou também um conto na antologia " Contos da era da guitarra elétrica" (Editora Prumo, 2010). Durante quatro anos, foi colunista do Jornal Correio, de Uberlândia, escrevendo sobre arte, literatura e cultura pop. Gravou quatro discos com a banda Porcas Borboletas (na estrada há 20 anos). Com a banda, apresentou-se em quase todos os estados do Brasil, bem como na Argentina, Inglaterra e Paris. Em projeto solo, lançou o disco de audioficção CARNIÇA (2016), levado aos palcos através de espetáculo sob sua direção. Website: www.danislau.com 

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Publicado

2020-12-21 — Atualizado em 2021-01-25

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