Tempo e tecnologia no processo de visualização em Química

um estudo exploratório sobre as práticas de professores em formação inicial

Autores

  • Alceu Junior Paz da Silva Universidade Federal Fluminense
  • Agnaldo Arroio Universidade de São Paulo

Resumo

As tecnologias digitais e o acesso à internet vêm trazendo à vida social desafios relacionados às problemáticas relações entre imagens e tempo baseadas em homogeneização, redundância e aceleração de consumo de conteúdo visual, promovendo leituras superficiais e individualizantes. Ao contrário, alguns estudos têm demarcado a necessidade de assegurar um tempo adequado para a aprendizagem com representações visuais químicas o qual tende a se afastar da rapidez e da individualidade. Diante disso, neste estudo exploratório investigou-se as relações entre tempo e imagens por meio de registros audiovisuais das práticas de ensino de professores em formação inicial com quatro sequências didáticas temáticas, sendo duas reportadas nesta comunicação. Para isso, procedeu-se com uma análise de conteúdo suportada por categorias analíticas vindas da literatura científica. Os resultados mostraram que o uso de tecnologias digitais prescinde de uma diferenciação temporal entre os recursos visuais químicos e os demais em função de suas respectivas intenções de ensino e não apenas em função do tipo de suporte (estático ou dinâmico). Os resultados constataram nas falas dos licenciandos um predomínio de conceitualizações no domínio macro, de modo que a problematização daquela diferenciação temporal poderia ser útil para explorar a pertinência do domínio submicro e das transições entre os domínios em práticas futuras. Com isso, o estudo reforça a importância da inserção de reflexões sobre o uso de tecnologias na formação de professores e sugere que as estratégias de ensino com visualizações podem estimular a criação das temporalidades compartilhadas e propícias a uma leitura profunda e crítica das imagens.

Biografia do Autor

Agnaldo Arroio, Universidade de São Paulo

Possui graduação em Química pela Universidade de São Paulo (1996), mestrado em Química (Físico Química) pela Universidade de São Paulo (1999), doutorado em Ciências (Físico-Química) pela Universidade de São Paulo (2004), graduação em Bacharelado em Imagem e Som: Produção Audiovisual pela Universidade Federal de São Carlos (2004), Pós-doutorado em Educação pela Universidade de São Paulo (2005) e livre-docência em Ensino de Ciências pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (2011). Atualmente é professor Associado na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Orienta e supervisiona mestrado, doutorado e pós-doutorado em Educação e Ensino de Ciências. Chair do IOSTE (2018-2020; 2020-2022) Representante da América do Sul no International Board IOSTE - International Organization for Science and Technology Education (2010-2012; 2012-2014; 2016-2018); Diretor de Educação - ABQ -Associação Brasileira de Química (2013-2015; 2015-2017), Diretor de Assuntos Internacionais - ABQ (2017-2019), Coordenador do Doutorado Interinstitucional Dinter - UFPI - FEUSP. Assessor da JICA (2013-2018) (Japan International Cooperation Agency). Tem experiência na área de Química, Comunicação e Educação, com ênfase em Comunicação Audiovisual no Ensino, atuando principalmente nos seguintes temas: Ensino de Química e Media literacy.

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Publicado

2021-12-31

Edição

Seção

Artigos Científicos de Pesquisa