Maternidade nas Antilhas:
a recusa e a idealização da figura materna na sociedade e na literatura
Palavras-chave:
Mulher, Maternidade, Maternagem, AdoçãoResumo
O presente artigo tem como objetivo analisar as diferentes experiências maternas e a recusa à maternidade sobre uma ótica ocidental com enfoque na cultura antilhana. Propõe-se uma breve análise da manifestação da (não) maternidade durante o período bíblico até a sociedade contemporânea a fim de exibir a complexidade e a grandiosidade do tema. Busca-se apresentar uma definição de certos conceitos que englobam a temática da maternidade, como a “maternidade compulsória”, a diferença entre “maternidade” e “maternagem” e a construção da imagem de mulher “poteau-mitan”. Tais definições auxiliam na compreensão de suas expressões e representações em algumas narrativas clássicas da literatura das Antilhas. Em todos os textos aqui analisados, contempla-se a presença vital da figura materna dos personagens principais ou presencia-se a história de uma mãe como elemento central da narrativa. Através das diferentes histórias dos romancistas antilhanos, nota-se a divergência no que diz respeito à conduta esperada da mulher e às diversas manifestações da maternidade em cada personagem feminina. Acolhe-se como fundamentação teórica central as reflexões de mulheres intelectuais como Julia Kristeva, Fatima Py, Françoise Vergès, Stéphanie Mulot, bell hooks, Elisabeth Badinter e Nubia Hanciau. Valoriza-se as interfaces literárias acerca da maternidade entre a escritora guadalupense Maryse Condé e os romancistas caribenhos Joseph Zobel, Simone Schwarz-Bart, André Schwarz-Bart, Patrick Chamoiseau e Gisèle Pineau.
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