FEMINISMO NA AMÉRICA LATINA - 2019

Mulheres negras, indígenas, trabalhadores, lésbicas, transexuais, travestis, intelectuais, campesinas, mulheres de diversas nacionalidades, do Norte e do Sul global, têm sido seres insurgentes em cada latitude e a partir de seus escritos, vidas e lutas têm contribuído para isso que hoje nós chamamos Feminismos. Dialogando entre si, confrontando, superando e aprofundando no consenso e dissenso, mas sempre enredadas na sororidade contra o inimigo principal: o patriarcado. Delas e de suas praxis, de suas ideias e caminhos, se trata esse dossiê.

Atualmente, em Nossa América, os feminismos estão adquirindo cada vez mais força e visibilidade. No Uruguai, em 8 de março de 2017, Montevidéu se viu como um rio de gente em violeta na Marcha pelo Dia Internacional da Mulher - histórica a nível nacional e regional. Mais de 300.000 pessoas alçaram suas vozes para gritar, entre muitas pautas, pelo fim da violência de gênero e pelo fim dos feminicídios, em um país que concentra a maior taxa de mulheres mortas nas mãos dos seus parceiros ou ex-parceiros da região. Em meados de 2018, as ruas de Santiago do Chile se viram transbordadas por mulheres reivindicando seus direitos e lutando contra o sistema patriarcal. As universidades chilenas foram tomadas para exigir um fim à violência machista no interior dos centros educativos e para construir uma educação não sexista. Múltiplas mobilizações adotaram definitivamente o assunto no debate público, do mesmo modo que na Argentina, onde em 2018 esteve marcada pela maré verde exigindo o Aborto Legal. As mulheres foram às ruas de diferentes cidades exigindo o direito de decidir sobre os seus corpos. Desafortunadamente, essa força não foi suficiente para que os parlamentares aprovassem esta lei e a transformassem em um direito, mas de qualquer maneira as mobilizações assentaram um precedente de um espaço de sororidade e de luta que transcendeu fronteiras regionais e continentais. No Brasil, a eleição de Jair Bolsonaro como presidente para o período 2019-2022 é vista com preocupação e angústia por parte das mulheres. O ex-militar tem um histórico de pronunciamentos misóginos e ameaçadores que gerou uma resistência feminina sob a hashtag do #EleNão. Esses breves exemplos mostram a pertinência atual de discutir estes temas.

Reconhecendo e analisando o momento histórico que a realidade nos impõe, encontramos com as mulheres e a diversidade tomando as ruas para fazer oposição, resistência e alternativas frente aos governos neoliberais, machistas, racistas, xenofóbicos e fascistas que avançam Nossa América. Pelas histórias de lutas, por aquelas que recém estão começando, pelas resistências que serão necessárias na América Latina, este número da Revista Espirales se propõe a debatero tema dos feminismos na região.

Serão bem vindo estudos de caso, propostas teóricas, reflexões em torno dos caminhos transitados e também balanços sobre as problemáticas, desafios e conquistas dos movimentos feministas. Podem enviar seus trabalhos todas as pessoas que queiram contribuir com o tema, independente de sua titulação. Serão recebidos trabalhos de estudantes de graduação, de pós-graduação, de professores, assim como de pessoas e coletivos não vinculados ao âmbito universitário. Podem ser enviadas pesquisas grupais (de até 4 autor@s) ou individuais. Além de artigos, a revista recebe proposta para outros espaços de discussão e difusão nas seções Experiências, Espaço Crítico e Expressões Artísticas e Culturais. Encorajamos especialmente o envio do trabalho de mulheres.

 

Data de envio, até: 31/03/2019.

As regras de publicação estão disponíveis no seguinte: https://revistas.unila.edu.br/espirales/about/submissions#authorGuidelines

Contato: revistaespirales@gmail.com